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Caros amigos, Uma das grandes vantagens de se conhecer um país por muito tempo é acompanhar as mudanças que ocorrem. Nos meus vinte anos de relação com o Brasil tenho visto uma verdadeira revolução nas prateleiras e gôndolas dos supermercados.
Eu me lembro do Serviço de Abastecimento de Brasília, os famosos supermercados SAB que ainda existiam por aqui no final dos anos 80 (eu acho que o último que restou ficou na L2 Sul). Em termos de charme, e principalmente de oferta, não deviam muito aos supermercados de Berlim Oriental. Só ganhavam pelas frutas tropicais, que embora não fossem as mais bonitas, pelo menos eram possíveis de comprar. Os demais produtos, que ficavam nas prateleiras quase vazias, não eram muito inspiradores.... O que me encantava era ver os alegres sorrisos dos funcionários da SAB, que faziam toda a diferença. Na Alemanha Oriental, sorriso sem sombra de dúvida era o item mais escasso de todos, e quanto ocasionalmente aparecia era carregado com aquele famoso schadenfreude - maldoso sarcasmo envenenado de inveja. Mas isso é outra historia.... Agora temos essa fabulosa fartura que parece não ter fim. Uma fartura que tem a ver com o crescimento da cidade, com a abertura das importações e com essa capacidade absurda deste país tropical para produzir, com excelente qualidade, produtos que vinham de longe, de climas bem mais frios, como maçãs, morangos, myrtilhas, framboesas, kiwi, lichia, foie gras e bons espumantes. Ao mesmo tempo em que temos esses produtos forasteiros sendo produzidos aqui, há também, os tipicamente brasileiros, que estão saindo das suas tocas e fazendo o maior sucesso nos restaurantes mais assim trend setting, revistas de gastronomia e agora mundo afora. Neste mês estamos trabalhando com alguns produtos super brasileiros: abacate aerado com pimenta de cheiro e camarão e, também, espaguete de chuchu. Além desses, dos que vinham do frio, serviremos myrtilhas e framboesas fresquinhas vindas de São Joaquim. Vamos servir, ainda, um clássico prato francês, com foie gras de Santa Catarina com uvas verdes do Vale de São Francisco. A única coisa importada, e é daqui do lado, do Peru, são os aspargos brancos, grossos e suculentos, que eu adoro e creio que em breve serão produzidos também aqui no Brasil. Bom apetite, Simon Lau Cederholm
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